Infecções Congênitas - continuação

Da mamãe para o bebê


Outro passo fundamental na diminuição do número de bebês infectados foi o uso de medicamentos durante a gestação. Utilizados isoladamente ou em associação, têm permitido diminuir o risco de passagem do vírus para o bebê de 60% para apenas 4%. Além disso, a escolha da via de parto mais adequada para cada gestantes (parto normal ou cesariana) e a proibição da amamentação também têm sido fatores importantes na prevenção da contaminação desses bebês.

Não há como realizar o diagnóstico da infecção no bebê durante a gestação, uma vez que a amniocentese poderia aumentar o risco de infecção. Dessa forma, a confirmação do diagnóstico é realizada somente após o parto, por meio de acompanhamento pediátrico e exames laboratoriais.



Sífilis


A sífilis é uma doença endêmica causada por uma bactéria frágil, o Treponema pallidum. Sua transmissão é predominante por via sexual, embora raros casos de transmissão por meio de transfusões sanguíneas possam ocorrer.

A sífilis é classificada em recente (até 1 ano) e tardia (após 1 ano). Em ambos os casos, o risco de transmissão da doença para o bebê é extremamente elevado (chegando a 90%), principalmente em gestantes com sífilis recente.

O tratamento da doença de forma adequada na gestação reduz o risco de transmissão da doença ao bebê para 1,5%.

O exame para a sífilis, denominado VDRL, faz parte da rotina de exames pré-natais no Brasil. É solicitado regularmente durante a gestação (a cada trimestre) e, caso o resultado seja positivo, inicia-se o tratamento da gestante e a avaliação do parceiro. Além disso, exames ultra-sonográficos são realizados regularmente para atestar o bem-estar do bebê.




A melhor forma de tratamento da sífilis congênita é a prevenção, por isso não se descuide!




Herpes

Existem dois tipos de vírus do herpes que acometem o homem: o tipo I, normalmente adquirido na infância e que produz lesões na boca e nariz; e o tipo II, que geralmente é adquirido por via sexual, levando a lesões na região genital.

Como não existe desenvolvimento de imunidade eficaz para o vírus do herpes, ele se mantém em estado de latência no organismo, podendo reativar caso haja queda na imunidade, como ocorre na gestação. Durante a gravidez, a reativação do vírus do herpes é mais comum que a infecção primária, com o surgimento de lesões herpéticas na região genital.

A infecção do bebê pode ocorrer em qualquer momento da gravidez. A transmissão transplacentária é rara. Quando ocorre na primeira metade da gestação costuma levar ao abortamento. O meio de transmissão mais frequente é pelo contato do bebê com o vírus presente na vagina e no colo uterino durante o parto. Assim, estima-se que nos partos realizados por via vaginal de mães com infecção primária, acima de 50% das crianças podem desenvolver manifestações clínicas do vírus. No entanto, esse risco é reduzido para 5% quando há reativação de uma infecção materna vaginal.



Hepatite B

A incidência da hepatite B aguda na gestação é de aproximadamente 0,5%. O Bebê pode adquirir a infecção de gestantes que apresentam a infecção aguda ou que são portadoras crônicas do vírus da hepatite. O exame para identificar essas pacientes faz parte da rotina de pré-natal no Brasil.

A transmissão transplacentária pode ocorrer durante um episódio agudo de hepatite materna ou nos casos de gestantes portadoras crônicas do vírus. O risco de transmissão para o bebê é pequeno no primeiro e segundo trimestre da gestação, porém é alto após o 7º mês. Outras vias de contaminação são o contato com sangue materno ou secreções vaginais contaminadas durante o parto ou através do leite materno.

Não existem relatos de diagnóstico pré-natal da infecção fetal. No entanto, a identificação de gestantes com hepatite B aguda e/ou portadoras do vírus é de extrema importância, direcionando o tratamento imediato do bebê, com o objetivo de diminuir as chances de que ele se torne um portador crônico do vírus.

A vacina contra a hepatite B é altamente eficaz e pode ser facilmente encontrada, até em serviços públicos de saúde. São administradas três doses assegurando uma imunidade permanente. Por ser produzida através de engenharia genética, pode ser administrada a gestantes sem qualquer risco.



Matéria cedida gentilmente pela SONNUS - Medicina Fetal
A reprodução desta matéria somente é permitida com a expressa autorização da SONNUS




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Matéria atualizada em 30 de maio de 2010

 
 
 

 
 

 

 

 

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12 de Janeiro de 2018

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