A experiência de Raquel* foi ainda pior. Ao descobrir que era portadora do vírus, com apenas 17 anos, através de um preventivo, ela teve que ouvir absurdos de uma médica inconseqüente, ignorante e preconceituosa. "Ela me disse que quando eu quisesse criar uma família eu não ia poder, por causa desse problema que eu tinha arranjado na rua. Que eu não poderia ter filhos e que a culpa de tudo era minha." Isto é uma mentira: o HPV não causa infertilidade. E qualquer mulher, portadora ou não do HPV, pode e deve ser amada, respeitada e ter uma vida absolutamente normal.
Prevenção e tratamento
O indício mais claro da presença do HPV é o aparecimento de verrugas em áreas como ânus, pênis, vulva e vagina. Se você perceber algo parecido, procure um ginecologista. Se as verrugas aparecerem no órgão do seu parceiro, mande-o direto para o consultório de um andrologista, que é o médico especializado nos órgãos sexuais masculinos, ou de um urologista, especialista em vias urinárias. E lembre-se: é fundamental que o seu parceiro seja informado sobre o vírus. Se apenas você se tratar, poderá ser reinfectada por ele, e vice-versa. O ideal é que vocês dois se informem sobre o assunto e sigam o tratamento ao mesmo tempo.
O diagnóstico pode ser feito através de um preventivo comum, conhecido como Papanicolau: o médico retira uma amostra de material do colo do útero e uma pequena quantidade da secreção da vagina da paciente e coloca-os numa lâmina de vidro, que é enviada para um laboratório para análise ao microscópio. O Papanicolau deve ser realizado antes da menstruação (no mínimo uma semana antes) e deve-se evitar o uso de cremes vaginais, duchas e relações sexuais pelo menos três dias antes do exame.
Se o resultado for positivo para a presença do vírus, não se desespere. Nem todos os tipos de HPV podem se transformar em câncer. Por isso, os Papilomavírus são classificados em tipos de baixo e de alto risco. Outros fatores que podem aumentar o potencial de desenvolvimento do câncer de colo de útero em mulheres já infectadas pelo HPV são o uso indiscriminado de pílulas anticoncepcionais, o fumo e infecções por outras doenças sexualmente transmissíveis.
Atendimento Público
Mesmo sabendo que é fundamental que os serviços de saúde orientem sobre o que é e qual a importância do exame preventivo - dados do Inca comprovam que a realização periódica do exame permite reduzir em 70% a mortalidade por câncer do colo do útero - o Dr. Afrânio Coelho de Oliveira, médico da Gerência de Câncer da Secretaria Municipal de Saúde, afirma que não há motivo para um programa de saúde pública específico sobre o HPV.
Segundo Oliveira, as mulheres devem procurar os serviços prestados pelo programa federal Viva Mulher existente nos postos médicos, que oferecem atendimento ginecológico. "Nestas unidades, as mulheres têm o direito de fazer o Papanicolau gratuitamente. Por meio deste exame, já é possível diagnosticar se a paciente apresenta HPV e, assim, dar início ao tratamento", afirma.
De acordo com o site da secretaria, a rede pública municipal dispõe de 71 unidades de saúde na cidade do Rio que possuem atendimento ginecológico, capazes de fazer gratuitamente o exame. Para informações sobre o vírus, o doutor recomenda que as mulheres busquem orientação nos postos médicos, onde há o Programa da Mulher, desenvolvido pela secretaria. O objetivo do projeto é informar às mulheres sobre como evitar as diferentes Doenças Sexualmente Transmissíveis. “O esclarecimento sobre o HPV está incluído neste programa”, justifica Oliveira.
"Só se isto está acontecendo agora" - diz Raquel* - "O Viva Mulher só fala sobre AIDS, só tem informação sobre isso. E eu fui ao posto de saúde da Gávea e o lugar estava todo esculhambado, todo sujo."
Independente das dificuldades, se empenhe em realizar o Papanicolau anualmente. A saúde é o bem mais importante que você tem, e assistência médica é um direito de todos os brasileiros -garantido inclusive pela Constituição Federal.
* Para manter a identidade das entrevistadas em sigilo, os nomes utilizados na matéria são fictícios.
** Colaborou: Jana Tabak.
Fonte: www.belezapura.org.br
Matéria publicada em 30 de maio de 2003
Vacina contra o HPV
Já estão disponíveis no Brasil as vacinas para prevenir a infecção pelo HPV.
Há uma centena de tipos de HPV, mas a maioria das infecções é causada por apenas quatro deles. As versões 16 e 18 do vírus são responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo de útero. Já os HPV 6 e 11 respondem por 90% das verrugas genitais.
Fabricada pelo laboratório Merck Sharp & Dhome, a Vacina Quadrivalente contra o HPV protege contra quatro tipos do vírus – o 6, 11, 16 e 18 -, que são responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo de útero e por 90% das verrugas genitais e é indicada para mulheres entre 9 e 26 anos de idade.
Fabricada pelo laboratório GSK , a Vacina Cervarix, também chamada de Vacina contra HPV oncogênico da GSK, protege contra os vírus 16 e 18. Segundo informações do fabricante, "A vacina demonstrou 100% de eficácia contra as infecções incidentes e persistentes, contra as anormalidades citológicas e o desenvolvimento histológico de NIC associados ao HPV-16 e ao HPV-18.9" Como a anterior, a idade recomendada da vacinação é a mesma.
Ambos os fabricantes apresentam pesquisas suficientes que mostram uma proteção duradoura nas mulheres vacinadas para o risco de câncer de útero.
Entre em contato com seu médico pessoal e saiba sobre as vantagens da vacina contra HPV.
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Matéria revisada em 30 de maio de 2010 pelo Planeta Bebê |
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