Como o feto deve ser avaliado em casos de diabetes gestacional?
O feto da gestante com diabetes está predisposto ao quadro de macrossomia, que é o crescimento exagerado do seu organismo. Este diagnóstico é firmado com o achado de feto com peso acima do percentil 90 para uma dada idade gestacional. Isto significa que apenas 10% dos fetos, na mesma idade, possuem peso igual ou maior que aquele mensurado. Alterações mais sutis, como aumento do volume de líquido amniótico, podem ser o primeiro sinal de anormalidade no crescimento do feto.
Em casos onde o diabetes materno está associado à presença de doença vascular proliferativa, seja no rim, retina ou coronárias, o crescimento fetal pode sofrer um processo de restrição intra-uterina, desenvolvendo um peso abaixo do normal. Este quadro também está relacionado a pior prognóstico gestacional.
O crescimento anormal do feto pode ser identificado a partir do 2º trimestre, aproximadamente na 26ª semana. Recomendamos a realização de um estudo morfológico adequado entre a 20ª e 24ª semana, uma vez que níveis aumentados de glicose no período peri-concepcional estão relacionados a maior incidência de malformações fetais.
Uma ultra-sonografia de avaliação de crescimento deve ser realizada quinzenalmente a partir do diagnóstico de diabetes. As consequências metabólicas da doença sobre o organismo fetal são mal avaliadas pelos testes de vitalidade mais utilizados, a dopplerfluxometria e o perfil biofísico fetal. O doppler tem maior utilidade nos quadros de doença associada a vasculopatia.
É importante lembrar que quadros de crescimento fetal aumentado ocorrem sem qualquer relação com o diabetes, principalmente em famílias com indivíduos de grande estatura.
Como tratar o diabetes na gestação?
Como o metabolismo de insulina e carboidratos está bastante modificado durante a gravidez, mesmo gestantes com diagnóstico anterior à gravidez devem ter seu tratamento reavaliado. Mesmo durante o período gravídico, este metabolismo modifica-se a cada idade gestacional.
De forma genérica, o tratamento impõe uma dieta alimentar com baixos teores calóricos. Dietas até 1.800 Kcal/dia não trazem danos ao feto. A quantidade de calorias diárias, bem como o tipo de alimentação, são ditados pelo peso atual da gestante, seu ritmo de ganho de peso e da magnitude de alterações do feto ao ultra-som.
O desenvolvimento de atividades físicas é muito importante, porque aumenta a passagem de glicose do sangue para o interior da célula, reduzindo seus níveis sanguíneos. Esta atividade deve ser controlada e autorizada por profissional médico especializado.
Em casos onde a glicemia não consegue ser normalizada com a introdução de dietas controladas e atividade física, o uso de insulina deve ser considerado. O esquema de insulinoterapia deve ser rigorosamente controlado, uma vez que desvios de alimentação e exercícios podem desencadear quadros graves de hipoglicemia, nestes pacientes.
|
Matéria cedida gentilmente pela SONNUS - Medicina Fetal
A reprodução desta matéria somente é permitida com a expressa autorização da SONNUS |
<< volta |
|
Matéria atualizada em 30 de maio de 2010 |
|